O número de pessoas vivendo em situação de rua no Brasil ultrapassou a marca de 365 mil em 2024, de acordo com levantamento da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). O estudo aponta que o Nordeste ocupa a segunda posição nacional em concentração dessa população, estatística que é refletida no estado do Maranhão, especialmente na capital, São Luís.
Segundo dados analisados pelo sociólogo Olivar Júnior, o Maranhão registrou um crescimento exponencial na última década. O contingente saltou de aproximadamente 150 pessoas para cerca de 3.500 indivíduos vivendo nessas condições no estado. Desse total, estima-se que 60% residam em São Luís.
Especialistas apontam que o perfil dessa população mudou após o período pandêmico. Se antes a predominância era de homens desacompanhados, hoje observa-se a presença de famílias inteiras em situação de extrema pobreza.
Principais causas do fenômeno
Estudos sociais indicam que o aumento é multicausal, destacando-se:
- Fatores econômicos: desemprego e perda de renda intensificados pela pandemia;
- Saúde mental: ausência de suporte terapêutico e acompanhamento psicossocial;
- Ruptura de vínculos: abandono familiar e conflitos domésticos.
Iniciativas de Apoio e Sociedade Civil
Diante da vulnerabilidade, projetos sociais e instituições religiosas buscam mitigar a precariedade imediata. O projeto Anjos da Madrugada, da Igreja Universal, atende semanalmente entre 50 a 60 pessoas em São Luís. A ação oferece suporte que inclui desde assistência espiritual e alimentação até serviços de higiene, como corte de cabelo e aferição de pressão arterial.
O pastor Marcelo Nascimento, responsável pela iniciativa, afirma que o objetivo é o acolhimento e a reintegração social, auxiliando muitos a retomarem o convívio familiar.
A necessidade de Políticas Públicas Integradas
Apesar do impacto das ações de caridade, especialistas reforçam que a solução para o crescimento da população de rua exige a atuação direta do Poder Público nas esferas municipal, estadual e federal.
"Não existe uma fórmula mágica, mas sim possibilidades que passam por moradia digna, inclusão no mercado de trabalho e cuidados estruturados com a saúde mental", defende o sociólogo Olivar Júnior. O foco, segundo o especialista, deve ser o combate à origem do problema para conter a crise crescente nos centros urbanos.